Horacio Lafer Piva
Foi passado para a imprensa alguns dados de uma pesquisa de opinio pblica que a Vox Populi realizou a nosso pedido nos ltimos dias de novembro, entre empresrios do Ciesp. Para a maioria deles, os negcios deste ano foram regulares ou bons. E olhem que tivemos a crise da energia, a crise da Argentina, a crise global, etc. Quanto a 2002, quase 70 por cento deles pretendem realizar investimentos em suas fbricas, o que demonstra haver uma atitude de confiana na economia. Os quase 30 por cento que no planejam investir em 2002 declaram na sua maioria que no tm recursos para investir - e isto coloca em relevo o fato amargo e doloroso de que o mau segundo semestre de 2001 afetou pesadamente os lucros das empresas industriais, enquanto -por coincidncia estranha- em nada prejudicava os balanos dos grandes bancos...
Mas continuo com a nossa pesquisa: a expectativa mdia dos empresrios industriais de So Paulo, em relao ao Pas, de que a situao (abro aspas) vai melhorar um pouco em 2002. Dou nfase a esse pouco - como se v o otimismo apenas moderado. Esses moderados so 54 por cento dos entrevistados, mas 30 por cento acha que tudo vai ficar como est. Quanto aos negcios, especificamente, os empresrios em sua maioria, ou seja, 63 por cento, acham que o ritmo (abro aspas) vai melhorar um pouco. S 10 por cento dos empresrios ouvidos acham que o ritmo vai melhorar muito, enquanto o dobro disso, 21 por cento, acha que tudo vai ficar como est.
De novo, estamos vendo um otimismo muito moderado, e esta uma opinio que vem da vida real do Pas, de uma estimativa concreta feita na base dos estoques existentes e das encomendas previstas. Quanto prioridade que se espera de um candidato Presidncia da Repblica, os entrevistados em larga maioria se pronunciaram em favor da reforma tributria.
Vou concluindo, poupando a todos, as minhas reflexes sobre o ano 2001, o ano que estamos encerrando, porque sobre isso tenho falado bastante para a mdia. Gostaria de acentuar contudo um fato de 2001 que deixou a indstria de So Paulo particularmente orgulhosa e isto foi a maneira dinmica, inteligente e competente com que os empresrios industriais souberam enfrentar e combater a crise da energia eltrica que comeou a explodir em maio deste ano.
Ainda no se calculou quanto a indstria teve de investir para se adaptar ao racionamento imposto de surpresa pelo Ministrio do Apago. Gastou-se muito dinheiro, e se sacrificaram as margens de lucro. Mas a indstria respondeu presente e se mostrou totalmente solidria e unida com a sociedade, no enfrentamento de uma emergncia nacional que chegou a levar o pnico aos burocratas de Braslia. Juntos, consumidores e industriais acharam as solues pontuais para a escassez de gua e de energia, ensinando muitas vezes o caminho correto para as autoridades federais e estaduais.
Penso at que o Brasil readquiriu em meados do ano uma boa fatia de sua auto-estima, ao constatar quanto de patriotismo, de boa vontade e de coeso social existe, de maneira silenciosa muitas vezes, em nosso Pas. Sinto orgulho por este episdio da vida nacional que tive a felicidade de acompanhar de perto desde o seu incio, como presidente da Fiesp/Ciesp.
E noto alis, de passagem, que as entidades industriais de So Paulo souberam dar uma contribuio positiva nesse momento de crise nacional. Elas se preparam agora para contribuir mais e mais, ao longo deste ano que vai comear. A Fiesp/Ciesp vai ouvir os candidatos presidenciais e vai inform-los do que a indstria reivindica para garantir o futuro deste que o maior parque industrial ao sul do equador.
A Fiesp/Ciesp vai tambm acompanhar de perto a gigantesca fase de negociaes que comeam a se acelerar agora, sob o comando do Itamaraty. E refiro da trplice fase de negociaes internacionais que vai decidir os destinos das futuras geraes de brasileiros. Falo da Alca, que se avizinha velozmente, e sabe-se l de que forma, falo da rea de livre comrcio com a Eurolndia. E falo da prxima rodada de conversaes comerciais globais a ser iniciada em janeiro pela Organizao Mundial da Comrcio.
O mundo est se globalizando depressa, mas o processo se revela mais doloroso do que se supunha. A Fiesp/Ciesp estar atenta ao que se passa, porque tem o mandato de defender a sobrevivncia e o florescimento da indstria nacional e dos dois milhes de bons empregos diretos que ela representa. Contamos com vocs, atentos, sagazes, e prontos para ajudar nesta fase, com suas reflexes e crticas, o Brasil, e a prpria Fiesp.
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