Carlos Miguel Aidar
A confirmao da tortura e assassinato do reprter Tim Lopes, desaparecido h uma semana, quando fazia matria sobre a presena do trfico em baile funk no Rio de Janeiro, projeta a dimenso que a violncia assumiu nas grandes cidades brasileiras, lesando a ordem pblica e criando um Estado paralelo, onde h tribunais com legislaes prprias, capazes de impor impunimente a pena capital, demonstrando seu total desprezo pela vida, desautorizando o Poder Pblico e atentando contra o Estado Democrtico de Direito.
O crime organizado evidenciou na execuo de Tim Lopes a dimenso de sua ousadia e de sua barbrie, deixando o sentimento de que foi uma ao reativa s denncias contra o trfico de drogas, anteriormente formuladas pelo jornalista, que seriam recrudescidas com nova reportagem. Tim Lopes representou o esprito do que h de mais nobre no jornalismo a capacidade de se indignar, de denunciar, de dar voz aos que sofrem calados o jugo do trfico e de mediar o dilogo entre a sociedade e s autoridades, na busca de uma soluo possvel contra o incremento da violncia e do crescimento do nmero de vtimas inocentes.
O assassinato de Tim Lopes um crime contra a pessoa e contra a sociedade, porque est revestido de intimidao, como se buscasse colocar limites atuao da imprensa. A mdia tem um papel importantssimo: o de garantir ao pblico o direito de saber , abrindo perspectivas de participao aos cidados nas questes que envolvem sua comunidade, seu Estado e seu Pas. O crime organizado no quer ser exposto opinio pblica, porque a preocupao da sociedade ser proporcional realidade relatada pela mdia, assim como sua presso sobre as Autoridades Pblicas para ultimar medidas coercitivas criminalidade.
Este crime brbaro no pode ficar sem punio, sob pena de a populao ver confirmados os seus temores de que o Estado paralelo hoje uma realidade irreversvel dentro do Estado brasileiro. Falta ao pas uma Agncia Nacional de combate ao crime organizado, que centralize as informaes disponveis, hoje fragmentadas em nveis federal e estadual, e que investigue conjuntamente por meio um corpo de profissionais altamente especializados.
Carlos Miguel Aidar Presidente da OAB SP
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