Mrcio Cavalca Medeiros
Vivo uma experincia extraordinria. Serei pai pela segunda vez aos 43 anos de idade. Posso afirmar que bem diferente do que ser pai com 20 ou 30 anos. A primeira experincia que eu tive em ser pai, na poca estava com 27 anos. Foi maravilhoso, mas vivia uma outra situao e enxergava o mundo com um outro olhar. Hoje, mais tarimbado, reconheo que a experincia que adquiri ser benfica em todos os sentidos. Aos 25 anos de idade qualquer pessoa se considera capaz de mudar o Mundo, enquanto que prximo dos 50, nossas foras e entusiasmos so bem diferentes.
Mas esta gravidez totalmente diferente da anterior. Primeiro que so com mulheres diferentes, e segundo que a experincia atual se trata de uma fertilizao assistida. a quinta tentativa que eu e Liza (minha amada) estamos vivenciando, e desta vez com pleno sucesso. Desde novembro nossas vidas so bem diferentes, e admito que a partir do momento que eu soube que seria pai novamente, algo muito desejado, esperado, planejado, investido e sonhado, considero-me outra pessoa. Passei a enxergar tudo em minha volta com outras cores, formatos e sentidos.
Pela idade avanada, pelo tratamento realizado e pela quantidade de ansiedade, certamente a gestao totalmente atpica. Mas o que tem me chamado a ateno que ao sentir-me grvido percebo a injustia da natureza em centralizar tudo na mulher. O homem um mero assistente, provedor e na maioria das vezes o causador de inmeros problemas. O homem no tem nenhuma participao direta numa gravidez. No sente dores, incmodos, tonturas, nuseas... no tem que tomar remdios, injees ou ter que fazer exames peridicos e tudo mais. A funo masculina pura e simplesmente de qualquer ajudante, assistente, assessor, consultor, mensageiro e provedor.
Qualquer ao masculina neste momento no tem valor algum. No tem reconhecimento, lembrana ou at mesmo considerao. visto por todos como uma obrigao que no importa a condio financeira, cultural, profissional, social ou at mesmo intelectual do homem, ele tem a obrigao de fazer daquele jeito e pronto. Isso tem me colocado numa situao muito ruim, pois meu sonho era ter um envolvimento maior, uma participao mais efetiva e dividir esses problemas, que muitas vezes para uma mulher pode parecer muito. Nem palpites podemos dar.
Tenho que admitir que a mulher tem um papel muito mais importante numa famlia, do que a do homem. Ao gerar e parir um ser humano, est sendo o centro das atenes, das valorizaes e principalmente de toda e qualquer considerao futura, afinal tanto a criana quanto a me no tiveram a oportunidade da escolha e a partir do nascimento a relao tem que ser valiosssima, pois trata-se de uma amor e de um sentimento gratuito. A figura da me tem que ser santificada com razo, pois, passar por todas as dificuldades que a mulher passa durante esses nove meses preciso ter reconhecimento de toda uma vida. Ao observar a luta que a Liza trava todos os dias, fico imaginando a injustia que ser se o nosso filho um dia destrat-la por qualquer razo.
Neste momento fico imaginando como fui cruel com minha me. Quantas dores de cabea eu causei a ela, sendo que o sofrimento que ela teve para me gerar e parir foram incalculveis, e no chegam se quer perto do que eu causei. No h como se desculpar disso tudo, at porque, os erros cometidos so por desconhecimento. Ningum erra por que quer, e sim por no saber. Mas a reivindicao que fao para que ns, pais, possamos ser reconhecidos de que o nosso sofrimento solitrio e sem reconhecimento social, passe a ser visto de outra maneira, pois ao ver a pessoa que amamos sofrendo, a gente sofre tambm pelo sentimento de incapacidade. Quando ns homens observamos a sobrecarga de tarefas maternas, sofremos por no termos a habilidade necessria para socorrer. Isto nunca visto pelas mulheres.
Ns homens neste momento s podemos fazer uma coisa: prover. tendo no caso, dinheiro para proporcionar conforto, tranqilidade, segurana, bem estar e principalmente a promoo das melhores possibilidades para que tudo d certo. Mas dinheiro no tudo, afinal, na natureza no existe dinheiro, que uma criao do homem. Ns homens temos que amar... e amar alm do que ns somos capazes. Amar na essncia, com tolerncia, com cumplicidade, com ternura, com delicadeza, com silncio e at com dvidas, pois, a mulher, que um ser imaculado, capaz de sentir tudo que de bom para um filho, o mesmo para com o marido, afinal dois se unem para formar outro. A palavra de ordem : comprometimento.
Quer observar se um casal promove o amor, veja a qualidade dos filhos produzidos por eles. Os filhos nada mais so do que reflexo do sentimento que os pais depositam no dia a dia. Hoje eu entendo que para existir seres humanos adequados, preciso que haja boa famlia. E isso no fcil, pois homens bem forjados preciso ter famlias bem estruturas e nossa sociedade caminha para um lado contrrio.
Mrcio Cavalca Medeiros empresrio, radialista e ex-jornalista
E-mail: marcio@medeiros.jor.br
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