Tenho observado uma discusso interessante sobre como fazer os jovens entenderem bons comportamentos. Ouo psiclogos, professores, estudiosos e demais entendidos no assunto, dizendo que os jovens esto cada vez mais autnomos, independentes e auto suficientes. Vejo at, comentrios de que a modernidade fez um novo comportamento educacional. De que a comunicao entre pais e filhos agora mais simples, fcil e instantneo. Ser? Penso que os choques de geraes sempre existiro, em virtude de que cada um formado de experincias diferentes. Ser que o ideal no aprender a essncia e verificar qual a melhor forma de transmitir os ensinamentos, sem frmulas mgicas?
Pois bem. Neste ltimo dia das mes assisti uma cena que me fez refletir. No almoo de domingo, comemorando o Dia das Mes, meu cunhado soltou uma daquelas prolas, que somente ele capaz de fazer. Por ser cunhado e ainda uma pessoa muito querida, prestei ateno e concordei. Ele disse: Hoje vejo como o meu pai foi bonzinho comigo. Queria que ele tivesse sido mais bravo e duro. Um homem com mais de 50 anos de idade falar algo assim, para fazer qualquer um refletir os motivos que levam uma pessoa a chegar a esse ponto de lamentao. No que ele seja uma pessoa com personalidade defeituosa, ou que o pai dele tenha sido um santo e conivente com todos os comportamentos inadequado que ele tivera.
Meu cunhado do tipo linha dura. Esbraveja sempre e de forma rstica sempre mostra o que pensa e se faz entender pelos barulhos que um bom descendente de italiano calabrs digno. Mesmo com dificuldades em encontrar as palavras corretas, ele se faz entender pelas atitudes e pela razo que sempre conclusiva e admitida por todos. No entanto, a forma de comunicao que ele utiliza d margens para interpretaes dbias. Mas ele uma pessoa correta, admirvel e querida. O pai dele foi um homem correto, admirvel e muito querido. Vejo que meu cunhado aprendeu a lio. Mas ser que est sabendo transmitir o que aprendeu aos filhos com mdia de 15 a 20 anos de idade? Assisto freqentemente a dificuldade que ele tem, mas consegue se fazer entender, no final.
Quando ele fez o comentrio sobre o pai, imaginei que ele estivesse querendo dizer que o pai dele foi to duro com ele nos ensinamentos, que ele teria como pai, ser duro com os filhos e no consegue. Conheci o pai dele e realmente ele era do estilo linha dura, como todo o pai da gerao dele foi. Imagino que meu pai seria assim, se no tivesse falecido to precocemente. Talvez eu seja igual ao meu cunhado, pois somos de gerao semelhante apesar dos oito anos de diferena que temos, mesmo eu ainda no ter atingido os 50 anos de idade. O que conclui que a forma de educar e transmitir ensinamentos tem tudo a ver com a gerao em que fazemos parte, pois, naturalmente os tempos sempre sero outros e bem diferentes. Feliz aquele que consegue acompanhar a modernizao e encontrar uma forma de comunicao adequada para transmitir o conhecimento que detm.
Fato raro.
Verifiquei que o desejo de meu cunhado foi o de mostrar aos filhos, que estavam presentes neste almoo de domingo, que ele na condio de pai mole, de fcil persuaso e que se fosse com o pai dele seria bem diferena e muito mais difcil. O desejo dele era dizer aos filhos que ele faz o que pode para ser compreendido, apesar de ter aprendido de forma diferente. Puro conflito simples de quem tem conhecimento e quer repassar para o outro, mas no sabe de que forma.
Emissor e receptor procurando uma linguagem da mensagem. Muita gente explica isso, mas complicado numa relao entre pais e filhos.
A concluso que eu cheguei que a comunicao no verbal ainda a melhor maneira de comunicao entre as pessoas. Nossos filhos precisam ver o que os pais fazem, tendo discernimento para escolherem o caminho que melhor lhe convm, dentro da histria de vida que cada um de ns construmos. Por isso que os pais devem se preocupar com a formao desta histria de vida. Bons exemplos, bons ensinamentos. preciso fazer com que os jovens saibam refletir e pensar, ao invs de serem alienados a situaes apenas prazerosas. Jovens que pensam e analisam sero lderes. Jovens que fazem s o que bom, num determinado momento, sero liderados de forma pacfica ou se tornaro contestadores incompreendidos. O valor do aconselhamento preciso ser destacado, pois, ningum manda em ningum, muito menos pais sobre os filhos.
Meu cunhado deu uma tima lio aos filhos e aos adultos, principalmente aqueles que esto disponveis a aprender. Este exemplo serviu para que eu confirmasse que a admirao pelo outro provm do comportamento, e que o ditado: faa o que eu falo, mas no faa o que eu fao, mais uma vez confirma ser uma pssima afirmao. preciso fazer o que se fala e faz. Somos avaliados pelo que fazemos e no pelo que pensamos ou falamos. Voc o que voc faz. Saber transmitir conhecimento por atitudes ainda a melhor maneira de fazer o outro aprender. Nossos dolos so criados desta maneira: pelo comportamento.
Mrcio C Medeiros radialista e jornalista
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