Título: O Risco Brasil
 
Fábio de Salles Meirelles

Por mais fácil que seja, qualquer mudança de temperatura das políticas internacionais, em especial no campo da economia, reflete negativamente nas nações de todo o mundo, particularmente naquelas em processo de desenvolvimento. Muitas vezes até se sufocam quando o vento é demasiado forte e frio. Para alterar este quadro é preciso fortalecer o sistema econômico mundial.

O Brasil de hoje encontra-se em um novo estágio, graças à capacidade realizadora do homem brasileiro, que garante o estágio de consolidação da capacidade produtiva que ora presenciamos.

Tal resultado foi construído nas últimas duas décadas, quando avançamos no campo da tecnologia, aplicando inovações para garantir a competitividade do produto nacional. Este reflexo é mais claro entre as micro e pequenas empresas brasileiras, cujo aprimoramento em termos de qualidade tem garantido o destaque dos empreendimentos de pequeno porte em vários segmentos da economia, por meio do avanço e fortalecimento das cadeias produtivas.

É chegado, portanto, o momento dos pequenos negócios avançarem num campo em que as grandes corporações já transitam com extrema facilidade: a conquista de nichos do mercado internacional.

Temos que aproveitar a disposição que toda sociedade brasileira – governantes e legisladores, representantes do sistema financeiro e de comunicação, organizações não governamentais – tem manifestado em apoiar sistematicamente a micro e pequena empresa, e trabalhar pelo aprimoramento da comercialização dos produtos e serviços destas empresas, reconhecidamente as principais alavancadoras do desenvolvimento sócio-econômico em qualquer parte do mundo.

Primeiro ajudando-as a desbravar fronteiras do mercado interno e, paralelamente, estruturando e colocando em prática uma política clara, precisa e orientadora, para caminharem rumo ao mercado internacional.

Os governos atuais, nas esferas federal, estadual e municipal, vêm caminhando nesta direção. Recentemente, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, convocou-nos, assim como as principais lideranças de diversos setores da economia paulista para, juntos, desenharmos soluções urgentes e imediatas, a fim de criar um caminho de consolidação do sistema produtivo no mercado internacional e que, ao mesmo tempo, garante o abastecimento interno.

De nossa parte, além das propostas na elaboração da política de exportação, estamos disponibilizando notáveis instrumentos de promoção internacional, como os existentes na Agência de Promoção à Exportação (Apex). Em recente encontro com a diretora geral da entidade, Ministra Dorothea Werneck, reafirmamos nosso compromisso de trabalhar conjuntamente para melhorar e agilizar os resultados apresentados até o momento pelas pequenas empresas paulistas com potencial exportador.

Por tudo isso e por isso mesmo, acreditamos que é chegado o momento do sistema financeiro entrar definitivamente no processo de ampliação da competitividade dos pequenos empreendimentos, adequando sua política creditícia ás reais necessidades do segmento, seja no Estado de São Paulo, seja no Brasil.

Temos plena convicção que, somente com a implantação efetiva deste conjunto de políticas apoiadoras ao segmento da economia que mais produz e gera empregos, o risco Brasil não alcançará a economia e a sociedade brasileira. Somente assim não vivenciaríamos o suspense diário da flutuação das notas internacionais; não ficaríamos a mercê da intensidade e velocidade dos seus ventos gélidos ou tórridos.

Fábio de Salles Meirelles é presidente da Faesp/Senar (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural)