Título: Quadrilha de falsas entidades é presa em São Paulo
 
Mauro Celso Rosa, vice-presidente da Acim, faz o alerta contra o estelionato no comércio em geral
 
A diretoria da Associação Comercial e Industrial de Marília (Acim), recebeu com alívio a informação de que a polícia conseguiu apreender documentos e equipamentos das empresas envolvidas no antigo Golpe no Comércio com a emissão de cobranças falsas. Entidades empresariais apenas no nome, que enviam boletos de cobrança principalmente para quem acabou de abrir um negócio, foram enquadradas pela polícia paulistana. “Há anos que lutamos contra esse tipo de golpe que prejudica muito o micro e pequeno empresários, principalmente”, disse o vice-presidente da Acim, Mauro Celso Rosa ao ressaltar a importância do comerciante reagir. “O empresário que se sentir lesado porque pagou o boleto por descuido pode registrar um boletim de ocorrência (BO) na delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC)”, falou.

Pelo menos duas entidades “fantasmas” estão sob investigação: a Associação Comercial e Empresarial do Brasil e a Associação Comercial do Estado de São Paulo. A polícia chegou a apreender documentos e equipamentos das empresas, já encaminhados para a perícia. O nome das duas entidades aparece no inquérito policial aberto há um ano, a pedido da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Mas há dezenas atuando no mercado, sempre usando o artifício de confundir empresários, que pagam por falta de atenção. De acordo com o delegado Marcos Moura, da capital paulista, que assumiu recentemente a delegacia, o inquérito foi aberto a partir de denúncia de uma farmácia homeopática, vítima do golpe. Vultoso, o inquérito envolve outras fraudes praticadas contra empresários, todas relacionadas à cobrança indevida. “Os casos novos devem ser notificados pelas vítimas”, afirmou o policial, ressaltando que a polícia também enfrenta dificuldades para coibir esse tipo de crime. Um dos maiores problemas é a grande quantidade de empresas agindo de má-fé no mercado. “Trata-se de uma investigação complexa e trabalhosa porque são muitas pessoas a serem ouvidas”, justificou o delegado.

De acordo com Mauro Celso Rosa é importante o registro de boletim de ocorrência, mesmo diante da impossibilidade de as vítimas serem ressarcidas dos prejuízos. “Na maioria dos casos, a cobrança é indevida porque não existe de fato um contrato entre as partes que justifique o envio de boletos bancários. Portanto, é estelionato”, opinou o dirigente ao lembrar que quanto maior o número de ocorrências, maior a chance de coibir a prática. “Esse golpe já passou pela esfera da Justiça Civil”, lembrou Sérgio Lopes Sobrinho, presidente da Acim, que mensalmente recebe este tipo de reclamação por parte de comerciantes associados. “Já travamos inúmeras batalhas no Judiciário contra entidades que usam nome semelhante ao da entidade para confundir seus associados”, recordou o dirigente mariliense.

Independente do cerco da polícia a estes golpistas, a sugestão da diretoria da Acim é mais atenção dos empresários para evitar prejuízos. Em caso de dúvida, o ideal é não pagar. A recomendação vale sobretudo para aqueles que acabaram de formalizar seu negócio, incluindo os empreendedores individuais. Eles também têm sido vítimas do golpe. Muitos receberam cobranças bancárias com valor próximo a R$ 300, ou seja, cinco vezes mais do que, de fato, são obrigados a recolher mensalmente ao fisco.
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