Título: ARTIGO - Restabelecida a ordem em favor da saúde contra o cigarro
 
Márcio Cavalca Medeiros


Considerei excelente esta nova lei estadual contra o cigarro. Imagino o quanto será complicado fiscalizar ou até mesmo conscientizar de que se trata de algo bom. Afinal, o perfil do fumante é ser diferente dos demais, e assim sendo será complicado manter esse relacionamento pacífico entre os fumantes e não fumantes. Eu já criei muita confusão por causa disso, e já me indispus com colegas sobre o assunto. Naquela época, certamente fique em situação inferior, pois, o antipático fui eu, que me manifestei contra o exagero do cigarro.


Num mundo em que quase tudo é permitido, percebo que esta lei demonstra que os seres humanos estão melhorando. Nunca gostei de cigarro e nunca tive qualquer intenção de ser fumante. Meus pais sempre me educaram no sentido de que cigarro não faz bem. Cresci vendo que isso era uma verdade e sempre procurei mostrar minha rebeldia de outras formas. Também nunca fui de beber álcool, ou seja, minha contestação como jovem sempre foi na argumentação e nos comportamentos pautados dentro de regras sociais e familiares e tendo o respeito e a hierarquia como sendo indiscutíveis.


Penso que esta forma como minha mãe, Dona Marlene, me educou é motivo de eterna gratidão, pois, com todas as dificuldades que ela teve para educar três filhos, após ser viúva precocemente, nem eu e meus irmãos buscamos no cigarro ou na bebida qualquer alento. Sou da geração saúde, e felizmente vejo que meu filho Murilo, segue este pensamento, sendo um excelente atleta da natação brilhando nas piscinas de Curitiba e do Brasil.


Lamento pelos meus amigos e colegas que fumam. Terão problemas a partir desta lei que dá muitos poderes para os não fumantes. No entanto, fico feliz que isto aconteça, pois trata de mais uma demonstração de que o cigarro faz muito prejuízo à saúde. Pessoas que amo muito, que fumam, me deixam frustrados com este tipo de comportamento. Meu amor por eles não aumenta nem diminui por causa disso, afinal, também tenho meus defeitos e vícios, e sinto-me amado por eles. Porém, o cigarro é algo que está sendo colocado como inimigo número dois da humanidade, sendo as drogas ilícitas como a do primeiro posto. Televisão, Cinema, Esportes, Lazer estão rapidamente abolindo o cigarro de participação.


Penso que a Lei Estadual contra o fumo se não for o penúltimo golpe contra este vício maldito, certamente será o antepenúltimo, pois o último é a morte. Minha frustração é de observar que pessoas intelectualizadas, de mentes privilegiadas utilizam o cigarro como um dos prazeres. Nunca entendi isso, apesar de respeitar. Sempre coloquei esta questão como fraqueza, mas normalmente a gente esconde as fraquezas, enquanto que os fumantes sentiam até prazer em mostrar que fumam, e que de forma aberta diziam que eram fracos. Hoje vejo que muitos se envergonham, e agora além de sentirem envergonhados serão incomodados.


Pode parecer radical, mas acredito que este tipo de proibição é benéfica, dentro das regras de subsistência dos seres humanos em se manterem vivos cada vez mais. Digo isso, porque fumar é uma opção e as conseqüências são inevitáveis. Pior: comprovadamente de que faz mal para quem fuma e para que não fuma e fica perto. Assim sendo, vejo esta proibição como um respeito para quem não fuma, ou seja, a ordem foi colocada de forma correta. Quem quer fumar e se auto prejudicar, que faça isso longe daqueles que querem ser saudáveis, sem a ameaça da nicotina.


Acredito que os fumantes terão seu gesto de fraqueza agora escondidos, como qualquer outro comportamento que temos. Não acredito que esta lei acabará com o fumo, porém, diminuirá a prática de fumar. Que passemos a ter leis iguais a esta do fumo com: bebida, som, ambulantes, panfletagem, guardadores de carro, flanelinhas e tantos outros comportamentos que ameaçam a nossa qualidade de vida. Sem esquecer do eterno combate às drogas ilícitas, que continuam sendo a inimiga número um da humanidade, e nem por isso estão diminuindo. Vamos continuar vigilante contra a ameaça número dois, que também pode não acabar.



Márcio Cavalca Medeiros, empresário, radialista e ex-jornalista
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