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Márcio Cavalca Medeiros Muita gente tem me perguntado sobre o lamentável comportamento da Suprema Corte em não reforçar a necessidade do diploma de jornalismo para desempenhar as funções de jornalista profissional. Mal tinha refletido sobre a revogação da Lei de Imprensa, e agora vem essa situação desconfortável para vivenciar. A decepção é natural diante daqueles que amam a profissão de jornalista. Sinto-me frustrado, mas em nenhum momento tenho observado a manifestação dos veículos de comunicação sobre o assunto. Tenho visto reclamações, desabafos, lamentações e somente a mobilização dos profissionais, que naturalmente, são os diretamente atingidos de forma prática, juntamente com os acadêmicos. Mas e os veículos de comunicação que são atingidos de forma moral? Não vão defender o fortalecimento do profissional básico para o bom jornalismo? Ao ser questionado por minha família sobre a situação, afinal tenho uma sobrinha que está cursando a Faculdade Cásper Líbero, na disciplina de Jornalismo, em São Paulo, percebi a revolta de minha irmã e cunhado, e a decepção de minha mãe que sempre esteve envolvida com jornalistas, pois meu pai e meu irmão também estão inseridos nesta atividade que praticamente é a base original da família Cavalca Medeiros. Pois bem, procurei mostrar a eles que o tempo é que mostrará se esta medida foi positiva ou não, apesar de verificar que até o momento não encontrei uma só pessoa que fosse favorável a este comportamento terrorista do Supremo Tribunal Federal. Não estou desesperado. Sinto que seja um momento de transição com tantas mídias aparecendo de forma muita rápida. Só para se ter uma idéia, a cidade de Marília passou a contar com cinco jornais diários em menos de três meses e com quatro canais de emissoras de TV de sinal fechado. Sem contar os inúmeros portais na Internet. Ou seja: mercado jornalístico em plena ebulição. Não entro no mérito se é muito ou pouco, se é bom ou ruim, ou coisas do gênero. Penso que quanto mais meios de comunicação tivermos, melhor a condição de análise da situação a população terá. O foco deve estar no público e não nos meios de comunicação. O que me surpreende é que Emissoras de Televisão e Empresas Jornalísticas não tomaram partido desta situação. Não tenho dúvidas que se o chamado Quarto Poder se posicionasse favorável a exigência do diploma, o STF dificilmente tomaria esta posição, e sem medo de errar: Senadores e Deputados já teriam gritado em favor da moralização jornalística. Mas a quem interessa isso? Aos veículos poderosos que passam a buscar mais maquiagem nos telejornais, rostos bonitinhos nos programas, vaquinhas de presépios nas redações e qualquer outro tipo de pessoas que se submeta a fazer o que patrão quer, para aparecer na mídia? Aos políticos que terão cabeças-de-bagres nas coberturas do Senado, das Câmaras, dos Tribunais e por ai em diante? Menos investigações, menos questionamentos, menos denúncias, menos inteligência com o trato da notícia. Tenho a certeza de que esta situação vai virar. O ano que vem (2010) é ano político. Será a primeira vez neste País que vamos ter uma eleição sem a Lei de Imprensa e sem profissionais gabaritados. Será uma meleca, e os tribunais vão trabalhar muito e muitos políticos serão orientados por oportunistas. Eles não perdem por esperar, e verão que o profissional de comunicação é fundamental em todo o processo de educação, orientação, instrução e informação em geral para qualquer pessoa ou empresa que queira se posicionar de forma positiva junto a sociedade. Colegas jornalistas não se desesperem. Tenho certeza que este momento é necessário para que sejamos mais valorizados, pois como diz o pensamento: depois que perdemos algo, que não parecia importante, é que passamos a dar valor. Será preciso aguardar a gritaria, as brigas, os problemas e tudo mais, para a sociedade perceber que informação desorganizada é um excelente instrumento para bandidos, pessoas nefastas e empresas sem escrúpulos. Os veículos de comunicação terão textos, fotos, filmes, reportagens sempre em tom duvidoso, sem contar que aparecerão mais jornais, mais rádios, mais emissoras de TV e tudo mais. Será ruim não selecionar as equipes de trabalho, e por conseqüência ter um trabalho duvidoso. Novamente os jornalistas mostrarão o caminho para a adequação, pois, em nenhum momento questionou-se a liberdade de expressão, e sim a forma, o exagero e os desmandos destas expressões. Liberdade há de existir, mas com responsabilidade que somente um especialista pode oferecer, do contrário será a autêntica libertinagem. Se existe o Quarto Poder, que ele se manifeste agora para não ser cúmplice e perder o respeito dos profissionais que o mantém. Márcio Cavalca Medeiros é radialista e jornalista E-mail: marcio@medeiros.jor.br Blog: HTTP/marcio-medeiros.blogspot.com |
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