Título: Comerciantes pedem moedas para facilitar troco
 
João Gonçalves, diretor da Acim, percebe a falta da Nota de um real no comércio
 
Os comerciantes da cidade de Marília estão sentindo a falta de troco nas vendas, reforçando o pedido da Associação Comercial e Industrial de Marília (Acim), para que a população em geral ponha as moedas em circulação. “Com a extinção da nota de um real pelo Banco Central, os lojistas já começam a sentir a diferença”, disse o presidente da entidade, Sérgio Lopes Sobrinho, ao conversar com um grupo de comerciantes associados. “Falta o troco miúdo”, falou ao perceber a generalização da reclamação neste sentido. “Os consumidores precisam utilizar mais as moedas”, sugeriu o dirigente.

Pesquisas já demonstraram que o consumidor brasileiro não gosta de carregar as moedas no momento de efetuar uma compra. A argumentação é o peso, pois, naturalmente quanto mais moedas, mais pesado fica, em virtude de que o papel nada é percebido. “Não é muito fácil conseguir notas de dois reais”, disse o diretor da Acim, o comerciante João Gonçalves que percebe esta dificuldade no próprio comércio que administra na região central de Marília. “A maioria dos consumidores aproveita as compras de R$ 1,99 para trocar notas altas, principalmente as de R$ 50 e R$ 100”, falou ao observar este tipo de comportamento entre os consumidores.

Para o dirigente no começo do mês, época em que as pessoas recebem os salários, se torna mais complicada conseguir troco miúdo. “Realmente, falta troco e as notas estão se tornando raridade”, diz o diretor da Acim ao afirmar que tem sido constante trocar dinheiro no banco todas as semanas. “É preciso conscientizar o consumidor da importância das moedas para o comércio”, defendeu o dirigente da Acim ao propor uma ação neste sentido por parte da associação comercial. “As lojas populares são as que mais sofrem com o desaparecimento das notas de R$ 1”, defendeu.

A Casa da Moeda do Brasil (CMB) parou oficialmente a produção das cédulas de R$ 1 em 2005, com um total de 150 milhões de novas notas, mas no ano seguinte, para aproveitar o material (papel-moeda e tinta), foram lançadas mais quatro milhões de cédulas. No mesmo ano, o Banco Central cessou a fabricação das moedas de 1 centavo. Uma das explicações para a extinção das notas é a vida útil das cédulas, que se deterioram em cerca de 13 meses. Muitas não chegam nem à metade disso, devido à falta de cuidado que os brasileiros costumam tomar com as notas, freqüentemente amassadas, dobradas, rabiscadas e até coladas com adesivos.

Segundo o Banco Central cerca de 80% das novas notas são produzidas exclusivamente para substituição. Já o prazo de validade das moedas é bem maior. Para durarem os cerca de 30 anos previstos, basta não serem expostas à corrosão e à ferrugem. Mais cédulas – Com a inflação sob controle e com baixo índice de desemprego, a população se mostra mais confiante em gastar. Essa mudança econômica e de comportamento obrigou o BC a dispor de maior volume de dinheiro circulante. Em 1994, primeiro ano do real, existiam 994 milhões de notas no mercado, correspondentes a R$ 9,5 bilhões. Hoje, o número de cédulas em circulação é de 3,9 bilhões, que equivalem a R$ 101,6 bilhões. Os cálculos apontam para um aumento médio de 363% no número de notas em circulação, e o valor monetário das notas disponíveis atingiu 911% de acréscimo em um período de 14 anos.