Título: Falta de boi preocupa proprietários rurais
 
Preço da carne bovina passa por instabilidade e produto pode faltar
 
A situação de que a oferta escassa de bois para abate e engorda e a conseqüente elevação dos preços têm preocupado pecuaristas, chama a atenção do presidente do Sindicato Rural de Marília, Yoshimi Shintaku, que vê com pessimismo esta situação. “É algo preocupante nesse momento em que se fala na volta da inflação”, disse ao acreditar no aumento do preço da carne de forma inevitável, em razão da falta do produto em breve nos centros de abastecimentos. Os valores negociados para a reposição vêm batendo recordes diários, e o preço do boi gordo, apesar de também em alta, não aumenta na mesma proporção. O boi gordo acumulou alta de 26% no Paraná e a vaca gorda avançou 25%, enquanto os animais de reposição subiram mais: o bezerro 38% e o boi magro, 32%, indicando a dificuldade de oferta.

Segundo dados analisados pelo presidente do Sindicato Rural de Marília o aumento de preços reflete a baixa disponibilidade de boi gordo para abate e boi magro e bezerros para engorda. A dificuldade em encontrar animais em todos os elos da cadeia é conseqüência de um período de descarte maciço de matrizes que reduziu o rebanho brasileiro. “Não só o proprietário rural está preocupado, como a população em geral deve ficar”, alertou o dirigente ao recordar que entre 2002 e 2006, os preços do boi gordo passaram por um ciclo de baixa e muitos pecuaristas eliminaram suas vacas para custear as despesas das fazendas.

O estado do Paraná tem a situação foi agravada pelo surgimento do foco de febre aftosa, em 2005, e pela perda do status internacional de área livre, no ano seguinte. “Isso ainda tem repercussão na economia interna e no exterior”, ressaltou Yoshimi Shintaku que acredita que a má fase fez com que muitos produtores fossem obrigados a diminuir seu plantel para conseguir manter a produção e agora o reflexo desta situação. “Alguns chegaram a abandonar a atividade e converteram suas pastagens em lavouras mais rentáveis”, completou o dirigente sindical.

Num primeiro momento, acredita Shintaku, a retenção de matrizes reduz ainda mais a oferta de gado no mercado, no entanto, a médio/longo prazo, se faz necessária para a recomposição do rebanho e, conseqüentemente, para o aumento da oferta de animais terminados e de reposição. “A reposição é lenta e o mercado sentirá isso”, avaliou o líder sindical ao lembrar que o comércio de fêmeas de reposição, que poderia acelerar a recomposição dos plantéis de matrizes e a retomada do crescimento do rebanho, não está ocorrendo de maneira muito intensa.