Título: Cresce mecanização nas colheitas da região
 
Yoshimi Shintaku destaca a mecanização em colheitas e a falta de emprego provocadas pela modernização
 
O crescente número de trabalho mecanizado na agricultura da região tem preocupado o presidente do Sindicato Rural de Marília, Yoshimi Shintaku, que verificou na região de Ribeirão Preto, por exemplo, que a metade da colheita da cana-de-açucar é feito por máquinas e não por homens. Segundo a União da Indústria de Cana de Açúcar, isto é um fato, e tem trazido conseqüências sociais como desemprego e diminuindo a qualidade de vida do trabalhador rural. “A região de Ribeirão Preto atrai pessoas do norte e nordeste, que buscam vida nova nos canaviais paulistas”, disse o dirigente mariliense ao acreditar que aproximadamente 40% do emprego na colheita são de migrantes. “A mecanização da colheita está reduzindo as ofertas de trabalho”, afirmou.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Marília esta situação é complicada, pois, por mais mecanizada que seja a colheita, existem áreas numa propriedade rural que a máquina não consegue fazer o serviço. “O trabalhador rural, neste caso, fica com as piores áreas, exigindo maior esforço por serem áreas íngremes”, lamentou o dirigente, ao imaginar não encontrando trabalho, o trabalhador rural acaba sendo vítima das favelas e passam a viver em situação difícil, inchando as periferias e aumentando o trabalho informal.

Por outro lado a mecanização passa a exigir uma capacitação maior do trabalhador rural, havendo a possibilidade de serem criados postos de trabalho, com salários e condições de trabalho melhores. “É uma situação lenta e gradual, e talvez irreversível”, comentou Yoshimi Shintaku ao ter conhecimento do problema, pois, a necessidade da capacitação já é vivenciada na região de Marília. “Daí a importância do Senar e do Sebrae, neste sentido”, lembrou o dirigente que é parceiro destas duas instituições que capacitam o trabalhador rural. “Mas é claro que a proporção entre capacitação e mecanização não é semelhante ao trabalho manual”, disse. “É preciso de muitas pessoas no trabalho manual, enquanto que a mecanização reduz sensivelmente esse número de trabalhadores”, falou.

Outra questão ressaltada nesta análise é quanto à ecologia. Com a mecanização não existe queimada da cana. “Esse é um lado favorável, mas acredito que a desvantagem maior é o desemprego, que provoca um problema social com a migração”, admitiu Yoshimi Shintaku ao lembrar que os trabalhadores são vítimas deste processo de modernização, pois migram para regiões distantes, desconhecidas, deixando para trás a casa e a família. “Isso não é opção, é a falta dela”, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Marília.