Título: Dirigente afirma que classe média é quem paga mais
 
Sérgio Lopes Sobrinho analisa pesquisa e se surpreende com a comparação
 
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Marília (Acim), e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado e São Paulo (Facesp), Sérgio Lopes Sobrinho, afirmou que a classe média é a que mais recolhe Imposto de Renda e contribuições no Brasil, dificultando o desenvolvimento do setor produtivo do País, onde se encontra as micro e pequenas empresas. “Cada brasileiro vai comprometer, neste ano, 40,01% de sua renda bruta para pagar impostos”, disse ao tomar conhecimento de estudos neste sentido e comparar os dados, afirmando que são quatro meses e 26 dias de trabalho, dedicado pelo empresário, somente para conseguir arcar com a carga tributária imposta pelo fisco. Os dados são de um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Segundo o estudo analisado pelo dirigente mariliense, outra conclusão que os técnicos chegaram é que a alta tributação faz mais estragos no bolso da classe média. De acordo com os números conseguidos, os brasileiros enquadrados na faixa salarial entre R$ 3 mil e R$ 10 mil comprometem 42,7% de seus rendimentos para pagar tributos, ou seja, 156 dias de trabalho. “A contribuição previdenciária é a principal ferramenta de obrigação compulsória por parte do cidadão da classe média”, disse Sérgio Lopes Sobrinho, justificando uma das razões para os resultados da pesquisa, pois, proporcionalmente, a classe média recolhe mais Imposto de Renda (IR) e contribuição previdenciária do que as outras.

A pesquisa indica que os tributos incidentes sobre o consumo, já incluídos no preço de produtos e serviços, foram os que mais contribuíram para o aumento da carga fiscal. São cobrados sobre o consumo as contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e os impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), sobre Produtos Industrializados (IPI) e sobre Serviços (ISS). De acordo com o estudo, para conseguir recolher apenas os tributos embutidos no preço das mercadorias e serviços, são necessários 82 dias de trabalho, em média.

Para acompanhar o crescimento da carga fiscal, o número de dias trabalhados para o fisco vem aumentando ao longo dos anos. Em 2003, foram necessários 135 dias, passando para 138, em 2004, e 140 em 2005. Na comparação com os países mais próximos, o Brasil ganha de longe nesse quesito. A carga tributária da vizinha Argentina, por exemplo, consome 97 dias. No México, são 91 dias. Já os espanhóis precisam trabalhar 137 dias para pagar impostos, cerca de um mês a mais que os americanos, que precisam de 102 dias.