Título: Fórum Agrário vai tomar posição sobre conflitos agrários
 
Yoshimi Shintaku, é o presidente do Sindicato Rural de Marília e tem esperanças do resultado do Fórum em Brasília
 
O presidente do Sindicato Rural de Marília, Yoshimi Shintaku, tomou conhecimento, que o setor empresarial ligado ao agronegócio brasileiro, sob a liderança da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), através do Presidente da entidade, Fábio Meirelles, se reúne no próximo dia 26 de abril, quinta-feira, em Brasília, no Fórum Agrário Empresarial, para tomar uma posição frente aos conflitos agrários, que estão provocando perdas de investimentos e de empregos em todo o País. “É preciso disciplinar essa situação e colocar ordem nesta questão que vem prejudicando de forma direta os proprietários rurais”, disse o dirigente ao saber do evento na capital brasileira, que estará reunindo as organizações do setor agropecuário, que mostrarão ao Governo, Congresso e Judiciário os prejuízos ocasionados por uma política fundiária marcada pela prática de atos ilícitos de violação do direito de propriedade e a adoção de procedimentos arbitrários de demarcação de terras, segundo os dirigentes da classe patronal de todo o Brasil.

Segundo Yoshimi Shintaku, o Fórum Agrário Empresarial deverá debater um posicionamento do setor produtivo frente às questões fundiárias, com o objetivo de esclarecer a sociedade sobre os prejuízos ocasionados pelas invasões de propriedades rurais e demarcações arbitrárias de terras indígenas e quilombolas. “Nossa região, no pontal do Paranapanema, sofre muito com isto que vem se alastrando para o centro-oeste paulista”, falou o dirigente do Sindicato Rural de Marília. Nos últimos quatro anos, foram registradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mais de mil invasões de imóveis rurais, causando destruição de plantações, matança de animais, destruição das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, além de maquinários, casas, cercas e galpões, entre outras benfeitorias. Para a CNA, reforma agrária não pode ser sinônimo de conflito e violência. “Por isso é preciso de uma posição, e o nosso presidente Fábio Meireles saberá conduzir o assunto”, acredita o dirigente mariliense.

Desde o primeiro Programa Nacional da Reforma Agrária foram distribuídos aproximadamente 68 milhões de hectares para cerca de um milhão de famílias, mas estima-se que apenas 6% a 8% dos assentamentos foram emancipados, o que significa que adquiriram vida própria. Nos últimos quatro anos, quase 32 milhões de hectares foram destinados ao assentamento de 380 mil famílias, com valor estimado de créditos e investimentos de R$ 67 mil por família. Na prática, não se tem mensurado os resultados destes investimentos públicos, pois não se tem informações sobre o volume de produção dos assentamentos, nem da renda obtida pelos novos proprietários rurais provenientes da reforma agrária. “Muitas vezes, as terras destinadas aos assentamentos acabam sendo revendidas, arrendadas ou abandonadas, reforçando o ciclo da indústria das invasões, prejudicando o proprietário rural que trabalha corretamente”, disse Yoshimi Shintaku, preocupado com a situação.

Ao final do evento, as propostas apresentadas ao Fórum serão reunidas e encaminhadas ao Congresso e às áreas de decisão do Governo com o objetivo de contribuir na busca de soluções exeqüíveis, que redirecionem as políticas públicas destinadas a normatizar as questões fundiária e indígena.