Título: Política, eleições e agropecuária
 
Fábio de Salles Meirelles

Em vista das eleições, o ano de 2002 apresenta-se como oportunidade para solucionar assuntos importantes e urgentes relacionados à atividade agropecuária, principalmente porque continuam em pauta no Congresso Nacional matérias como a revisão do Código Florestal, a renegociação das dívidas do crédito rural, a questão do seguro rural e a biotecnologia.

Há questões no Parlamento, cuja discussão se prolonga há vários anos, sem que a elas sejam dadas as devidas prioridade e solução. É o momento de alterar essa realidade.

Não se pode mais esperar soluções para os problemas que vêm trazendo intranquilidade e insegurança ao campo. Mudar o rumo desse histórico pode parecer desestimulante para os brasileiros descrentes da realidade política do País. Mas não se pode deixar este sentimento tomar vulto. É preciso acreditar na oportunidade de mudança, sem desconsiderar a pujança do Brasil, e trabalhar para que os representantes da agropecuária formem um coro uníssono em prol das causas do setor.

O impulso da agricultura brasileira depende da mobilização do setor para eleger e reeleger representantes atuantes e preparados para solucionar e discutir as questões do setor. É inadmissível que, apesar dos resultados expressivos gerados pela agropecuária nos últimos anos, o País continue sem uma política agrícola consistente, de longo prazo, que permita o necessário planejamento da atividade.

A nova linha de política voltada para o desenvolvimento do agronegócio não pode desconsiderar a importância da base produtiva, a fim de garantir aos produtores de todas as cadeias produtivas o devido retorno aos investimentos realizados em tecnologia, produtividade, qualidade e diminuição de custos.

Faz-se necessário fortalecer a representatividade da agricultura junto aos poderes executivo e legislativo, já que importantes decisões ligadas ao setor devem ser tomadas nos próximos anos, principalmente no que se refere às negociações internacionais. Os pontos centrais nas discussões da Alca e do acordo Mercosul-União Européia serão, sem dúvida, os mercados agrícolas e os vultosos subsídios concedidos pelos países desenvolvidos. A inserção do produtor rural no mercado globalizado, a garantia e manutenção de renda e emprego no campo são questões prioritárias que necessitam de tratamento adequado nas negociações internacionais, sendo imprescindível o envolvimento efetivo das lideranças do setor nesse processo.

A agricultura precisa indiscutivelmente ser representada por pessoas com conhecimento amplo e efetivo do setor, que compreendam e valorizem devidamente a atividade. É inaceitável que a agricultura continue sendo discutida, normatizada e planejada por lideranças de outras áreas,sem conhecimento de causa e afinidade com o setor.

É tempo dos candidatos apresentarem programas de governo sólidos, com o delineamento de ações para o meio rural, reconhecendo devidamente o valor desta atividade produtiva, não só como geradora
de divisas, mas também como geradora de trabalho para milhões de brasileiros. Agora é o momento de cobrar soluções concretas e efetivas para os assuntos urgentes que, infelizmente, ainda estão em compasso de espera.

Fábio de Salles Meirelles, presidente da Faesp/Senar