Título: A energia do campo
 
Apesar dos constantes desafios que marcam a rotina do agricultor, e das dificuldades enfrentadas por alguns setores da agropecuária em 2001, afirmamos com orgulho que a mesma resiste bravamente às crises e continua dando provas de sua capacidade e enorme potencial. As recentes estatísticas oficiais do Estado de São Paulo indicam que o valor da produção agropecuária cresceu 12,2% no ano passado em relação ao ano de 2000, apesar de um aumento de apenas 0,58% em termos de volume produzido. O montante alcançou R$ 16,48 bilhões, colocando-nos como o primeiro estado em termos de valor de produção.

Certamente há que se considerar que a desvalorização do Real contribuiu para os resultados de São Paulo, já que dentre os nossos principais produtos destacam-se os exportáveis, açúcar e suco de laranja. Também é preciso ressaltar a importância desse novo fôlego para a recuperação da renda dos produtores rurais envolvidos nessas atividades, que, até 2000, vinham amargando prejuízos notáveis.

Esses resultados têm um impacto significativo sobre o desempenho comercial do País, não se limitando aos efeitos benéficos sobre a renda dos produtores paulistas. Em 2001 o agronegócio efetivamente respondeu pelo superávit comercial total do Brasil, com um saldo positivo de US$ 19 bilhões, que suplantou o déficit dos demais setores da economia (US$ 16,4 bilhões). Mais um ano consecutivo em que os produtos do agronegócio sustentam o saldo comercial brasileiro.

A assimilação tecnológica na agricultura, a diversificação, a agregação de valor, os primeiros passos em direção ao marketing dos produtos brasileiros, a presença mais forte nas negociações internacionais e outros esforços conjuntos de governo e setor privado parecem frutificar. Contudo, não devemos esquecer que o caminho para consolidar uma posição ainda mais forte e sustentável no mercado internacional e fortalecer o reconhecimento da agropecuária no mercado doméstico, ainda é longo.Ainda temos muitos desafios pela frente.

Para alguns setores, como o café, os desafios iminentes são conjunturais. A perspectiva para o setor este ano aponta uma boa safra em termos de produção e produtividade mas condições preocupantes de comercialização, exigindo políticas fortes de financiamento e apoio à comercialização. O setor, segundo maior empregador da agricultura paulista e responsável pela maior parcela da renda agrícola de diversas regiões do Estado, há dois anos acumula prejuízos imensos e não pode deixar de ser apoiado neste momento. É preciso evitar a implosão de toda a estrutura do parque cafeeiro paulista e nacional, o que viria a comprometer o futuro desses agricultores, a renda regional em alguns estados, gerar grave problema social com o desemprego, prejudicando ainda a posição brasileira no mercado internacional.

Para outros setores, como o canavieiro, o desafio é estrutural. Superada a crise das safras 1999/00 e 2000/01, o setor necessita de definições urgentes sobre o futuro almejado para o açúcar e, particularmente, para o álcool. Não podemos deixar nunca de ressaltar, que o grande mercado a ser atendido, a prioridade de nosso setor, é o mercado interno. O produtor precisa ter a segurança na sua produção e comercialização a preços dignos, que lhe permitam continuar produzindo, abastecendo e alimentando o País e, mesmo, mantendo o equilíbrio de nossas Contas Nacionais.