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| No campo das comunicações, a evolução do conhecimento científico e tecnológico provoca uma revolução cultural de grandes conseqüências, rompe com noções de tempo e espaço, com modelos de ensino. O resultado mais imediato dessa ruptura é o florescimento de novos paradigmas, de novos modos de pensar a ciência, a sociedade e a própria cultura. A ciência passa a ser vista como um tipo de cultura e não mais como um modo de produzir verdades absolutas seguidas de modo incondicional, sobretudo por aqueles que não trilham os mesmos percursos de vida dos cientistas. Por outro lado, a cultura passa a ser vista como um conjunto de teorias e práticas sociais envolvendo os mais diversos campos do conhecimento humano, não mais como modos de manifestação de tradições artísticas. O florescimento destes novos paradigmas que decorre dos novos meios de produzir e comunicar idéias e práticas sociais, fruto da transformação radical das estruturas da sociedade, passa a configurar a cultura uma entidade diferente, mais abrangente, como entendido pela Antropologia. Neste contexto, o cidadão passa a ser visto como sujeito ativo, criador, artístico, mesmo não sendo um profissional das artes plásticas, como ocorreu como cidadão Chico Buarque de Holanda, entre tantos outros estudantes universitários que participaram dos festivais de música MPB e que se fizeram mais tarde artistas. Por outro lado, o profissional das artes plásticas passa a ser visto como um sujeito crítico, investigador e difusor de conhecimentos e processos sociais, denunciador de realidades humanas. O trabalho do fotógrafo Sebastião Salgado e de cineastas tal como Glauber Rocha ilustram este fato. As obras destes sujeitos nos mostram que ser artista é ser culto, letrado, compreender o mundo nas suas múltiplas dimensões e não expressar coisas do mundo que não tenham sentido para um coletivo. Nelas, a linguagem assume papel primordial para a compreensão das relações sociais, entre pessoas comuns e institucionalizadas. Mas que modelo de ensino pode formar cidadãos letrados, críticos, cientistas na arte de viver e de interpretar o mundo ? Estudos mostram que é preciso mais do que um modelo para ensinar este ou aquele outro assunto; que é preciso uma vida inteira vivida em determinadas condições, ou seja, participar em processos de socialização do uso da técnica, expressar pensamentos, produzir e utilizar novas linguagens, investigar a realidade vivida no dia a dia de vida, dentro e fora da escola. Por outras palavras, é preciso viver um sistema escolar, formal, mas também o informal, aquele que se configura no dia a dia de vida, ser artístico, cultural, exercer plenamente a cidadania. Este sistema está implícito, desde o Renascimento, nos sentidos que emanam do convívio com a arte nos espaços públicos, nas Praças, no Cinema, Teatro, Circo, nas Mostras Fotográficas, etc, de onde emanam verdadeiramente os sentidos de justiça social. Viviane Souza Galvão Membro do atual Conselho Municipal de Cultura (CMC) |
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