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| Júlio César Brandão A Diretoria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Marília vem, nesses últimos anos, vem desenvolvendo um grande esforço para reestruturar o Hospital e, assim continuar prestando serviços de qualidade à população de Marília e Região. Apenas para lembrar, a Mesa Administrativa exerce o seu trabalho de forma voluntária e gratuita. Assim, o intuito dos seus Membros é também a prática da cidadania, voltada para concretização do ideal de servir. Como entidade filantrópica que é, buscou ao longo de sua história firmar parcerias importantes e que contribuíram para o seu crescimento nestes 75 anos de existência. Dentre essas parcerias, uma delas deu-se através de um Convênio com as Irmãs do Sagrado Coração, pelo qual a SANTA CASA agregaria no seu quadro funcional membros desta Ordem Religiosa. E assim foi feito. Assim, durante muito tempo, a SANTA CASA teve no seu quadro de funcionários (em regime de CLT) com direito a salário, férias e moradia, inclusive, inúmeras Irmãs de Caridade, que, assim, por anos seguidos prestaram serviços ao hospital, como enfermeiras ou atendentes. Para tanto, foram devidamente registradas e satisfeitos todos os encargos trabalhistas regulados pela CLT. No ano de 1997, ao assumirmos a Direção da Instituição, que, assolada por imensa crise financeira, administrativa e também de credibilidade, junto a fornecedores de produtos e serviços, iniciamos um processo de profissionalização do quadro funcional do Hospital através de reengenharia organizacional, que nos obrigou a avaliar e reestruturar todos os setores do Hospital. Trabalho difícil, árduo, realizado com denodo e razoável competência e que ainda continua a ser implementado. Todas as medidas a serem efetivadas, obedeceram critérios técnicos e administrativos, incluindo a revisão do contrato de parceria com as Irmãs do Sagrado Coração. Em reunião na cidade de São Paulo com a Irmã Provincial, juntamente com Rubens Travitzk e do então administrador João Vigianni, relatamos a necessidade de ser reexaminada a atuação das Irmãs dentro da Instituição. Recebemos da Irmã Provincial o mais irrestrito apoio, que culminou com a demissão das irmãs, que receberam todos os direitos laborais, devendo esclarecer que apenas duas delas ajuizaram Reclamação Trabalhista contra a SANTA CASA. Logo em seguida, duas, das cinco Irmãs remanescentes, profissionais competentes, foram removidas do Hospital pela Superiora, e transferidas para outros hospitais. A contratação de profissionais, principalmente para trabalhar em hospitais, exige critérios técnicos e passa por avaliação de setores competentes, sendo esta a política admissional implantada pela nossa administração. A profissionalização é, portanto primordial, e este processo procura extinguir com o paternalismo e apadrinhamento na hora de contratar. Não é ainda um processo acabado, como gostaríamos, mas é uma decisão política acertada. As rescisões de contrato de trabalho, tanto das irmãs de Caridade, como dos demais ex-empregados da Instituição, deram-se em obediência aos critérios de interesse e conveniência da Instituição. Todos, portanto, se sujeitaram e se beneficiaram das regras que regulam as relações de trabalho. O tradicional vínculo que sempre existiu com a Igreja Católica, reforçado com a participação das Irmãs do Sagrado Coração, continua em vigor, pois a "atividade pastoral", voluntária, gratuita e necessária, distinta do Convênio, cuja cessação jamais foi objeto de qualquer cogitação da Mesa Administrativa. A intenção de não quebrar este vínculo evidencia-se no fato de ter sido renovado o contrato de comodato por mais 10 anos para que a IGREJA DE SANTA IZABEL continue a utilizar do prédio e do terreno que pertence a SANTA CASA, além da existência de uma CAPELA DO SAGRADO CORAÇÃO dentro do prédio do hospital, na qual são realizadas cerimônias católicas, da qual jamais se pensou ou cogitou de elimina-las. Todo esse processo já foi explicado e colocado pessoalmente pelo PROVEDOR, em 1998 ou 1999 diretamente as autoridades da Igreja Católica, razão pela qual queríamos evitar polêmica banal ou como dizem os franceses: "petit rien". A SANTA CASA é patrimônio de nossa cidade. Foi erguida com trabalho plural, por uma comunidade plural e esperamos que, no futuro, isto se torne política permanente, pois queiramos ou não, poderemos um dia precisar deste Hospital. Júlio César Brandão, é provedor da Santa Casa de Misericórdia de Marília |
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