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| As discussões sobre o uso de biocombustíveis voltaram à tona recentemente. A Federação da Agricultura do Estado de São Paulo foi convidada pelo Governo Federal, em setembro último, para expor e debater esse importante assunto, perante os Ministérios envolvidos com a questão do biodiesel. A estruturação de um programa nacional de biodiesel seria estratégica para a agricultura brasileira, uma vez que esse combustível pode ser obtido partir de óleos vegetais e álcool proveniente da cana-de-açúcar. Tal programa, se transformado numa diretriz de política governamental, pode trazer grandes contribuições no campo do desenvolvimento, com a geração de emprego e consolidação de um novo sistema econômico integrado. O incentivo ao uso do biodiesel seria muito vantajoso para a economia brasileira, pois permitiria uma sensível diminuição das importações de óleo diesel. Além dos ganhos econômicos, ressalta-se os benefícios ambientais advindos da utilização desse biocombustível. Estudos indicam significativa redução da emissão de gases poluentes, que podem inclusive gerar outras vantagens econômicas, por meio do aproveitamento dos créditos de carbono. Um programa nacional de biodiesel deve considerar as vocações regionais para a produção de espécies oleaginosas. Por exemplo, na região Sudeste as culturas da soja, mamona, algodão e girassol possuem grande potencial para produção de óleo vegetal. No Nordeste, existe também possibilidade de aproveitamento do babaçu e do dendê. Nesse sentido, também se deve incentivar a produção integrada no próprio setor rural, aproveitando as espécies oleaginosas tanto para fins alimentícios, quanto para a produção de combustível, a ser utilizado como insumo na produção agropecuária. A consideração de todas essas questões será de grande importância para transferência de tecnologias adequadas e profissionalização dos trabalhadores, contribuindo para o desenvolvimento regional. Outro ponto de extrema relevância é a questão da integração regional brasileira, conectando os principais centros de produção aos de consumo. Devem existir estudos que permitam integrar a cadeia do biodiesel, por exemplo, desde o Porto de Itaqui no Maranhão, passando pelo Centro Oeste, até chegar em São Paulo, no Porto de Santos. Deve-se também considerar a importância da interligação do Brasil com o Oceano Pacífico, passando pelo Peru. Ao longo dessas rotas poderiam ser desenvolvidos uma série de projetos de economia integrada, de modo a incorporar a mão-de-obra local e a agricultura familiar, não apenas aos projetos de biodiesel, pela exploração de óleo vegetal e álcool, mas também a outros empreendimentos que considerem a vocação natural de cada região. Tal integração consolidaria um verdadeiro vetor de desenvolvimento. Especificamente quanto à geração de emprego e renda, estudos realizados pela Faesp indicam que para o estabelecimento de um programa nacional de biodiesel seria necessário um significativo acréscimo na produção de oleaginosas e de cana-de-açúcar. O efeito direto dessa expansão da produção é a criação de milhares de postos de trabalho, gerando renda e contribuindo para a fixação do homem no campo. É fato que o apoio à produção e consumo de biodiesel trará grandes vantagens para o Brasil. Portanto, é fundamental o apoio à pesquisa para o desenvolvimento e tranferência de tecnologias adequadas a cada região produtora e, principalmente, o delineamento de estratégias e regras claras que permitam a implantação de um programa nacional de biodiesel. Fábio de Salles Meirelles é presidente da Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo) |
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