Título: Mais sites anti-spam sucumbem a ataques
 
Dois sites que lutavam contra o envio de mensagens não-solicitadas desativaram seus serviços esta semana, em virtude de táticas de guerrilha cibernética dirigidas contra eles. Monkeys.com, conhecido por muitos administradores de redes, sucumbiu a uma onda de ataques de negação de serviço (DoS) que durou vários dias. O provedor Compu.Net recebeu ameaças e milhares de mensagens que entupiram seus servidores. Supõe-se que spammers estejam por trás das ações.

De acordo com uma mensagem escrita por Ronald Guilmette, que manteve o Monkeys.com durante os últimos oito anos, seu site foi vítima de maciços ataques DoS que duraram inicialmente dez dias ― entre 19 e 29 de agosto ― e depois mais três dias. Para Guilmette, este foi o ponto final. “Simplesmente não me permitirão continuar lutando contra o spam”, lamentou. “Eu não tenho nem largura de banda nem o nível de interesse entre os grandes provedores ou autoridades que é claramente necessário para combater este tipo de ataque concentrado de milhares de máquinas zumbis de uma só vez”.

Já Bill Larson, do Compu.Net, afirma que foram enviadas mensagens fraudulentas usando endereços de e-mail forjados no estilo "usuario@compu.net". Por causa disso, administradores de redes sem conhecimentos começaram a bloquear os usuários legítimos do provedor, provocando o retorno de cerca de 12 mil mensagens na semana passada, centenas de queixas de abuso e ameaças contra os responsáveis pelo site e contra seus servidores. “Lamentamos que os spammers estejam ganhando a guerra pelo controle de suas caixas de correio”, disse Larson em um comunicado sobre o encerramento do serviço anti-spam que mantinha.

Ambos os sites publicavam o que se convencionou chamar de listas negras, nome dado a relações de servidores inseguros que possibilitam o envio de spam por qualquer pessoa que se conecte a eles ou endereços eletrônicos usados por spammers. Administradores de redes adicionam estas listas às regras de seus servidores, fazendo com que mensagens oriundas dos endereços relacionados sejam automaticamente bloqueadas. Por causa da desativação destas listas, o Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS) publicou um alerta recomendando aos administradores que as utilizavam que retirem das configurações de seus servidores as referências a elas.

Nos últimos meses, a tendência de atacar sites anti-spam tem aumentado. No mês passado, outra referência nesta área, o site Osirusoft.com também foi definitivamente fechado após sucessivos ataques. Tais ações, apesar de trazerem algum desânimo aos ativistas anti-spam, também servem para estimular o surgimento de novas técnicas para se proteger dos spammers. Durante esta semana, as listas de discussão especializadas trataram intensamente deste assunto, sugerindo o uso de redes descentralizadas, como a Freenet, ou redes P2P, para hospedar as listas negras e evitar que os ataques sejam bem-sucedidos.

Mas alguns têm sugestões mais drásticas, entre eles Bill Larson, que afirmou: “Os registradores oficiais de IP precisam encarar o problema do spam muito seriamente. Um grande golpe que poderia ser usado contra países como China, Brasil e outros que ignoram os spammers exceto quando eles enviam lixo para seus próprios cidadãos seria revogar ou suspender suas alocações de IP até que limpem os spammers de suas casas e ganhem os IPs de novo”.

Giordani Rodrigues
Colaboração de Guilherme Mendonça, gerente de negócios da Impact, empresa de assessoria a Internet de Marília