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| A Ordem dos Advogados do Brasil é, por excelência, a entidade que encarna o ideário da sociedade, cujo escopo se volta tanto para a conquista dos direitos dos cidadãos, o respeito às normas, o acesso à Justiça, quanto para o combate às práticas ilegais e aos padrões nefastos da vida institucional, o que implica vigorosa postura em defesa da ética e da dignidade, da transparência e da lisura de comportamentos. É esta a chama que tem iluminado a história dos avanços sociais no país. É assim que sobre a Ordem pensam as advogadas e os advogados. A Seccional paulista da OAB tem defendido com tenacidade tais princípios, a ponto de ter se dedicado, nos últimos anos, a um programa de ação que contempla os ideais nobres da advocacia. A lembrança ocorre a propósito do quadro eleitoral que começa a se esboçar dentro da Seccional, com um conjunto de candidatos começando a fazer suas campanhas e a demonstrar as razões das candidaturas. O exercício da democracia, como se sabe, contempla o livre confronto das idéias, o embate intenso, pautado pelo respeito mútuo e a exposição de um programa de ação que leve em consideração os reais anseios do corpo representado pela entidade. No caso da Ordem dos Advogados do Brasil, o jogo democrático não deve apenas transcorrer dentro das mais substantivas regras democráticas, mas, ele próprio, precisa incorporar o eixo moral que tanto tem inspirado o discurso da entidade. Esta razão impõe, na área da política corporativa, o compromisso com o dever moral. Significa reafirmar os nossos compromissos contra a demagogia, as pautas canhestras que tanto temos combatido, da qual fazem parte as promessas mirabolantes, as propostas de cunho meramente eleitoreiro e comportamentos que não se coadunam com o rigor ético que qualquer candidato deve se impor, para que se alcance a necessária imparcialidade e um posicionamento igualitário entre todos os pretendentes à presidência da Seccional. A Ordem não pode e não deve ser usada em nenhum momento e sob qualquer circunstância, sob pena de pairar, sobre aquele que a usa, uma sombra de suspeita. Não pode recair sobre nenhum candidato – como, infelizmente, tem sido usual em nosso país – a pecha de que está cometendo alguma forma de "estelionato eleitoral". Por outro lado, se alguém desejar fazer uma campanha exuberante, tem todo o direito, desde que jogue aberto, informando as condições, dando conta de apoios, inclusive os financeiros, dentro dos mais transparentes critérios de esclarecimento ao eleitorado. Se queremos ver instalada no país a moralização dos padrões políticos, comecemos em casa uma prática centrada na ética e na dignidade. Se desejamos uma Ordem que se faça respeitar, que a façamos um paradigma de transparência e seriedade. Cada candidato tem liberdade para expor o que achar mais conveniente para fortalecer a entidade, mas não pode e não deve exceder os limites do bom senso, mistificando, mentindo, desvirtuando situações, subvertendo a base de uma viabilidade técnico-financeira, com promessas que não apenas são inconsistentes com a natureza da Casa, mas que passam longe de suas possibilidades materiais. Nesse sentido, fazemos um alerta para os 180 mil advogados paulistas. Leiam com atenção as propostas apresentadas, examinem sua viabilidade, comparem os anseios da classe com as projeções feitas, analisem o histórico e o perfil de cada candidato, acompanhem seus passos, e só depois de um exaustivo esforço para identificação do perfil mais adequado para dirigir a nossa Casa, tomem suas decisões. Importa saber se os compromissos que estão sendo assumidos são factíveis ou apenas eleitoreiros. Importa saber se os candidatos, em suas campanhas, estão se conduzindo de maneira ética, regrados por conduta que não provoque suspeitas e polêmica de efeito negativo. Importa saber se as propostas se amparam no anseio coletivo da classe ou apenas exprimem pontos de vista de grupos e facções. No mais, o que desejamos ver é uma campanha limpa, educada, polida, caracterizada pelo respeito e cordialidade entre os candidatos. As nossas ações e os nossos exemplos estarão sendo observados. A OAB SP espera que cada candidato à presidência da entidade respeite o ideário que tanto nos orgulhamos de defender. Carlos Miguel C. Aidar é presidente da OAB de São Paulo |
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