Título: Compromisso com o presente
 
Neste ano que se inicia, concluiremos o projeto de trabalho de uma gestão, assumido em 2000, quando a atual diretoria foi eleita. Firmou-se um compromisso solidário em defesa dos interesses da classe, tão logo o pleito foi encerrado, que vem construindo um patrimônio de serviços e benefícios, com poucos precedentes na história da Seccional paulista. Todo o Estado foi esquadrinhado para que fosse possível atender às reais necessidades do conjunto dos advogados.
A marca da atual gestão vem sendo a monolítica união de forças, ou seja, o trabalho colegiado de sua diretoria, desprendido de personalismos. Todos os diretores atuam em concordância, emitindo suas opiniões, mesmo que divergentes, sobre as questões que afetam a advocacia e os desígnios da instituição. Prevalece, sempre, a posição da maioria, a despeito das manifestas dificuldades em administrar uma entidade com a dimensão da Seccional paulista da OAB.

A coesão em prol da advocacia vem sendo a garantia fundamental para manter a continuidade dos trabalhos institucionais, dos quais todos se beneficiam. Seja o jovem advogado, que busca aperfeiçoamento em um mercado de trabalho cada vez mais disputado; seja uma grande sociedade que enfrenta a concorrência ilegal de consultores externos.
Seja o advogado de uma pequena comarca em luta para fazer cumprir suas prerrogativas profissionais; seja um estagiário de uma grande cidade com dificuldades, quase intransponíveis, diante da falta de infra-estrutura dos cartórios. Todos encontram respostas para os seus mais aflitivos problemas profissionais em sua entidade de classe.
Pela sua importância, esse trabalho não pode sofrer solução de continuidade. Por isso, cabe aqui uma advertência.

É intranquilizador ver que o processo sucessório esteja sendo colocado de forma tão prematura, podendo resultar em futuras seqüelas negativas para a própria classe, uma vez que divergências colocadas fora de hora mobilizam a instituição para caminhos outros que não os pleitos concretos da classe. Desde o ano passado, vêm surgindo inúmeras pré-candidaturas à presidência da OAB SP, algumas ensejando disputas que vão além das fronteiras organizacionais. Tenho de louvar a preocupação de alguns desses colegas com a instituição e a ânsia pela participação democrática, mas ela deve ser colocada no momento oportuno. A hora ainda é de semear.

Por enquanto, a responsabilidade pelos destinos institucionais, corporativos e administrativos da Seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil está com a atual gestão. Constitui uma missão honrosa que nos foi outorgada pelos advogados e advogadas paulistas, à qual vimos buscando corresponder com o apoio do Conselho e das Subsecções.

Entendo que o compromisso maior da diretoria da OAB SP, nesse instante, é preservar a advocacia e sua entidade do que há de pior na política partidária: a crítica leviana, utilizada como “tijolo” para construir reputações. Como afirmava Vicente Ráo, ícone da advocacia paulista: “O Direito e a Vida dos Direitos não devem visar aplausos demagógicos, de que não precisam”. Seguiremos, portanto, de maneira firme, unida e responsável, na defesa dos compromissos assumidos com o presente e o futuro de nossa classe.

Carlos Miguel Aidar é presidente da OAB SP