Título: Situação atual da cadeia produtiva do leite
 
O mercado atual do leite indica que a tendência de preço para o próximo mês é de se manter estável. A alta do dólar desencorajou as importações que, mesmo em volumes acima dos observados no ano passado, acabam não sendo suficientes para atender a demanda. Hoje há um real desequilíbrio entre oferta e procura no mercado de derivados, especialmente entre as indústrias.

Produtores de diversas regiões do Brasil estão recebendo propostas e contra propostas com valores cerca de 18% a 20% acima dos preços médios regionais do litro de leite, ou seja, dentro do processo de pagamento das indústrias, está sendo mais fácil atingir o índice para as bonificações. Aliás, nos últimos meses, os preços pagos aos produtores com maiores volumes ficaram bem próximos dos valores mais elevados pagos regionalmente.

Até a produção de setembro, paga em outubro, os preços médios do leite pago aos produtores foram cerca de 2,5% superiores aos preços de 2001, enquanto a indústria, no mercado do longa vida, somou um aumento de 9,3% nos preços médios de venda.

Muitos produtores têm reclamado que os preços reais são mais altos que os que tem sido publicados pelos referidos veículos. Vale lembrar que o produtor, que procura informações, e acompanha o mercado, geralmente representa uma condição diferenciada de tecnologia e volume de produção em relação ao grande universo dos produtores.

Portanto, pela própria característica de sua propriedade e produção, os preços destes produtores tendem a ser os mais elevados, publicados na coluna de preços máximos ou mais altos em revistas especializadas.

Porém, na média geral, a realidade do produtor brasileiro é extremamente diferente dos empresários rurais que acompanham mercado. Segundo dados do IBGE, no Brasil, apenas 2% dos produtores produzem mais que 200 litros de leite por dia, e nem por isso pode-se dizer que a produção destes 2% é administrada empresarialmente.

O valor mix, a média paga pela indústria, para o leite tipo C, ainda está próxima dos R$0,36 a R$0,37/litro e R$0,41 a R$0,42 pelo leite tipo B. O valor do leite deste ano, portanto, realmente é apenas 2,5% acima do preço médio do ano passado, conforme descrito acima, um reajuste insignificante perto da realidade que o produtor enfrenta para comprar seus insumos.

Sendo assim para aumentar, ou ao menos manter, o abastecimento de leite no próximo ano, não há outra alternativa que não seja através de preços.

Estamos, portanto, vivendo em 2002, uma situação inédita no mercado do leite dos últimos anos: preços sendo reajustados em pleno período de safra.

O programa SAI de parceria do SEBRAE/SP, CATI e o Sindicato rural de Marília, através de sua equipe técnica têm apoiado os produtores para a realização compras e vendas conjuntas, melhorando assim os lucros obtidos pelos mesmos com a atividade.

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: 422-3362 ou 422-3855.

Márcio Luiz de Oliveira é coordenador de gestão do Programa Sai em Marília