Título: A alta temporada é brasileira
 
Em um período atípico para a economia mundial e, em especial, para a América Latina, nos aproximamos de mais uma temporada de verão; via de regra, a mais importante para os agentes de viagem diante do fluxo de passageiros. Sentimos na pele a redução da procura pelos roteiros internacionais diante do (triste) recorde histórico do dólar em relação do Real (o que poderá alterar-se). Este verão 2002/2003 é positivamente do turismo interno.

Nunca falou-se tanto em conhecer as indescritíveis belezas brasileiras que sintetizam os prazeres do mar (em algumas das mais belas praias do mundo), da natureza (que outro país conta com o Pantanal e a Amazônia?), do campo, da montanha, da colonização germânica, entre muitas outras.

No entanto, nossa expectativa é que toda essa euforia seja acompanhada de muita cautela: é hora de os fornecedores apostarem no turismo como uma indústria que contribui para o crescimento do País e de nossa economia.

A experiência de um passado muito recente, mais especificamente do Reveillon 1999/2000, nos mostra que não adianta os fornecedores duplicarem e até triplicarem os preços para “aproveitar” a situação. Foi uma ducha de água gelada, lembram? Na época, as companhias aéreas tinham lugares disponíveis às vésperas da virada do ano, os hotéis amargaram prejuízos consideráveis com a falta de hóspedes e maioria dos agentes teve que correr muito para cumprir os compromissos de final de ano até mesmo com pagamento de 13o e impostos.

Por isso todo cuidado é pouco. Alguns agentes já comunicaram a Aviesp que as tabelas para a alta estação estão chegando com preços proibitivos. Será que não houve aprendizado há dois anos?
Viajar é uma atividade que embala os sonhos dos brasileiros, mas ser ludibriado é um ônus que a maioria dos turistas já comprovou que não sustenta!

José Carlos Rocha Vieira é presidente da Aviesp (Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo)