Título: Seleção Natural
 
Paulo Eugênio Querino

Analisando os acontecimentos recentes podemos notar que os países tidos como potência econômica mundial, tendem a conquistar novos espaços, territórios e poder. As técnicas e estratégias utilizadas sempre encontram resistências que, muitas vezes cometem absurdos usando violência e terrorismo na tentativa de enfraquecer o "inimigo" e interromper o processo, como exemplo os atentados em New York dia 11/09/2001.

Em forma de cadeia, os problemas acabam atingindo países menos fortalecidos e dependentes do sistema econômico mundial, causando uma seleção natural da população, segmentos e atividades inseridas no contexto global.

O segmento de turismo será um dos mais afetados pois o destino internacional, que é a vitrine dos nossos produtos, apresenta um show cinematográfico de conflitos, ameaças e atentados, sendo paralisado pelo medo, incertezas, insegurança e desequilíbrio monetário. No caso do Brasil crescem as tendências de movimentação do turismo interno. Isto gera uma preocupação maior com relação às formas adotadas para a exploração dos destinos oferecidos, tendo em vista que o crescente número de empresas ligadas ao setor e a necessidade de manter seus negócios, acabem gerando uma "degladiação" por parte das agências de viagens e turismo menos preparadas. A atual situação exige dos profissionais da área maior competência para lidar com as novas tendências e conhecimento para a soluções imediatas e precisas. Sem dúvida, estes serão requisitos básicos e necessários para preservação de seu espaço de atuação.

O ponto de equilíbrio dos custos, fator importante de sobrevivência, deverá ser analisado cautelosamente e redirecionado para os lucros, levando em consideração as dificuldades atuais e a realidade de cada empresa.

Analisando os efeitos negativos que os conflitos internacionais geram para os destinos no exterior, necessitamos criar consciência de que o mercado interno deve ser valorizado e explorado de modo que não cause "guerra" entre as empresas que, muitas vezes em busca de clientes, usam como armas o desconto, o assédio, a falta de ética e, como conseqüência, o desrespeito profissional.

Não cometer erros do passado é sinal de crescimento. Caso contrário, podemos amargar prejuízos não de igual proporção aos acontecimentos internacionais, mas de efeito parecido, culminando com o enfraquecimento do mercado e num processo lento de recuperação.
O momento é de utilização da inteligência, cautela, ética profissional e fortalecimento do turismo.

Paulo Eugênio Querino
Delegado Regional da AVIESP